9 de dezembro de 2018

NATAL LITERÁRIO 2018



Olá! ♥️
Final de ano é uma época boa, não é? Como já é tradição, para comemorar o ano que passamos juntos, nada melhor que um sorteio super recheado! O Natal Literário acontece desde 2016 e neste terceiro ano conseguimos reunir mais de 40 blogueiros e bookstagrammers. Nós pensamos nos prêmios com muito carinho e esperamos que gostem do que preparamos para vocês! Preparados?





30 de novembro de 2018

Outsider, de Stephen King



Olá!

Você não sabe o prazer que é estar de volta para falar de Stephen King. Vem comigo.


Me permitir ler Stephen King há poucos anos foi um dos acertos literários que fiz. Além de ser um autor muito competente - ainda que em dado momento choque com os absurdos -, me apresenta uma escrita original, coloca tudo no lugar certo e junta todas as pontas que só parecem estar soltas em algum momento. Seus cenários únicos desenhados com tanta precisão e a ambientação de suas histórias só enriquecem suas histórias. E Outsider é mais uma de suas histórias que me apresenta tudo isso.

Em Outsider nos deparamos com um crime indescritível e uma investigação inexplicável. O corpo de um menino é encontrado abandonado num parque em Flint City. O menino foi brutalmente assassinado e todas as digitais que são encontradas no cenário do crime é do famoso treinador da Liga Infantil de beisebol conhecido como Terry Maitland. que também é professor de inglês, é casado e tem duas filhas. As digitais, ao olhar do detetive Ralph Anderson, são suficientes para que ele possa ordenar a prisão imediata do treinador e de forma pública, o que faz com que em pouco tempo toda a cidade saiba que ele é o principal suspeito do crime. No entanto, Maitland possui um álibi, mas a convicção do detetive por causa das amostras de DNA exclui totalmente o que o suspeito tem a dizer. O caso então parece resolvido. Mas quando segue a investigação a história parece mais complexa do que aparentava ser no início e nem tudo o que parece ser realmente é. Terry Maitlland parece ser um bom marido, um bom pai também. Um sujeito legal e admirado na cidade até então. Mas será que não existem uma máscara para esconder quem realmente ele é? 

Se prepare para muita tensão e uma mistura intensa de sentimentos durante a leitura de Outsider. Mais uma vez as palavras, os detalhes colocados no lugar certo e as imagens nítidas criadas por King envolverá você nessa investigação e nos perigos contidos nela. Não se assuste se você se sentir como um detetive fazendo parte dessa investigação. Nem se acanhe se em algum momento desejar uma justiça com as próprias mãos. A ficção pode muito bem se confundir com a realidade quando você reconhecer as problemáticas abordadas no texto. E quais são essas abordagens que pode muito bem fazer parte da nossa realidade?

Primeiro, todos os personagens têm personalidades fortes e muito reais. Sem muito enfeite, sem perfeições. É o ser humano como ele realmente é: com todas as falhas, defeitos, bondades e maldades. Diria até que seus pesamentos sujos estão ali marcando presença também. Diante disso, a justiça falha e policiais aparentemente pouco preparados para lidar com o caso. Na verdade, policiais levados pela emoção e agindo de maneira impulsiva demais. Será que você reconhece essa realidade em algum momento?

O olhar para o racismo também marca presença de maneira sutil no início da história. É como quando uma pessoa alfineta você da maneira mais discreta possível, mas no fundo você sabe que existe uma crítica ferrenha ali e que a gente não pode deixar passar. Outro tema que está presente e que esteve presente também na trilogia Bill Hodges é o suicídio. Coisas pesadas demais para serem carregadas sozinhas por pessoas com seus traumas e insatisfações, pressão muito grande em momentos tristes e diria também desesperadores. Uma lenda muito conhecida por nós e em outros países também marca presença na história. Divirta-se.
Dois garotos negros na calçada, um com um pé e um skate laranja velho, o outro com um verde-limão embaixo do braço, viram o carro entrar no estacionamento do Parque Recreativo Estelle Barga e se entreolharam.
Um disse:
- Tiras.
O outro respondeu, irônico:
- Não diga.
Eles se afastaram sem falar mais nada, dando impulso nos skates. A regra era simples: quando a polícia aparece, é hora de ir. A vida dos negros importa, seus pais tinham lhes ensinado, mas nem sempre para os policiais.
Outlander é dividida em pouco mais de sete partes, cada uma representando um local, uma situação relacionada ao caso - até mesmo das investigações -, a situação de alguém em especial. O título original foi mantido e em sua tradução remete ao modo como os personagens chamam o assassino. Assim como a capa, o título pode entregar muita coisa da história, sugiro que não tente decifrá-la antes de ler. Ao invés disso, se permita ter um reencontro com um personagem da trilogia Bill Rodges e aproveite muito a presença dele. E se sinta confortável com a presença de um autor famoso da literatura do gênero policial, de quem o treinador T. é muito fã. 


Há momentos em que o cansaço nos alcança durante a leitura, reconheço. Muitos detalhes que podem parecer desinteressantes. No entanto, mais para frente tudo se encaixa e você percebe o quanto isso foi necessário. 

Outsider é uma história aterrorizante sobre os fantasmas que nos assombram e nos induz a olhar ao nosso redor e perceber o quanto estamos lutando com nossos demônios e o quanto estamos lidando com monstros o tempo inteiro: alguns disfarçados, outros à mostra. Uma história sobre como a falha na justiça é real e sobre como agir tomado pela emoção pode desencadear grandes tragédias. 

Bjux,
e até mais! ♥️

14 de novembro de 2018

LEVE-ME COM VOCÊ, DE CATHERINE RYAN HYDE


Olá!
♥️

Se pudesse cantar a frase de uma canção para o livro sobre o qual escrevo hoje, eu cantaria

"Oh! Seu moço do disco voador
Me leve com você
Pra onde você for
Oh! Seu moço
Não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por aí..."


Agora que já lhe dei uma canção para ouvir, lhe darei motivos de sobra para dar atenção a esse livro que tem uma beleza que vai além da arte de capa e das cores escolhidas. A beleza de "Leve-me com você" está nos personagens dessa história, nos lugares por onde vão e no tom ingênuo que também precisamos para manter o equilíbrio. "Leve-me com você" é um livro de Catherine Ryan Hyde, provavelmente o primeiro da autora publicado no Brasil. A narrativa conta a história de August, um rapaz vivendo o luto pela morte do filho e que encontra uma família que mudará sua vida e o ritmo de sua viagem.

August precisava consertar seu trailer para seguir viagem e felizmente conseguiu encontrar uma oficina na estrada. O destino da viagem é Yellowstone e o grande motivo dessa viagem é viver o luto e jogar as cinzas do filho que morreu há pouco tempo nos lugares por onde o adolescente desejava passar. Mas além de um mecânico competente o rapaz conhece seus filhos, Seth e Henry, duas crianças que farão August testar seus limites e reconhecer suas fraquezas ao mesmo tempo em que aprenderão com ele que não se deve limitar-se e pedir desculpas por ser quem realmente são. August mostrará e conhecerá também um mundo novo através de uma viagem cheia de beleza e desafios.

Leve-me com você é como a cor colorindo uma parede cinza e sem vida. Sensível e emocionante, a narrativa de Hyde nos coloca num lugar confortável e nos desperta sentimentos diversos quando nos apresenta a personalidades tão complexas e tão carismáticas, e nos convida a fazer uma viagem por lugares belos junto a elas. A história é leve, os diálogos são envolventes, os personagens são intrigantes e cada um ao seu modo desperta no leitor a vontade de conhece-los um pouco mais. E à medida em que o enredo se desenrola, vamos descortinando cada um deles e nos tornando mais próximos. Seja pela vontade de abraçar e não deixá-los sozinhos, seja pela vontade de ajudá-los a passar por um momento tão difícil e certamente tão real no nosso mundo. E isso não se aplica a apenas um personagens, mas a todos. Cada um se apresenta com suas limitações e barreiras a serem vencidas.
"Mas cada um de nós tem alguma coisa que causa tristeza, (...). E ninguém p ode nos salvar de todas elas." Pág.: 226
O livro traz à tona questões de relacionamentos familiares e problemas com alcoolismo, um assunto pouco abordado nos livros que já li e que me surpreendeu positivamente nessa história quando eu esperava um motivo comum e clichê para o que viria acontecer nos capítulos seguintes. Sem dúvidas os irmãos Seth e Henry são personagens marcantes e que abrilhantam ainda mais a história. Isso porque ao mesmo tempo em que se mostram como crianças espertas vivendo seus dias num lugar pacato e sem oportunidades, eles mostram uma sabedoria incrível. Seth é aquele que age; Henry o que observa. Mas ambos possuem seus medos e limitações. August também tem suas limitações pelo que aconteceu na sua família. O pai dos meninos, Wes, vive um dilema não tão fácil de ser resolvido - esse último é o tipo de personagem que mais te desafia a colocar-se no lugar do outro. E isso é incrível!

E por falar em colocar-se no lugar do outro o despertar da empatia é um dos pontos positivos da história, que conta com a vida dramática dos personagens, mas que mostra um tom ingênuo muito forte acredito e que acredito ser necessário. Há situações em que no mundo real seriam bem duvidosas, mas é bom pensar nesse momento no "com deveria/poderia ser". A autora foi muito feliz ao escrever uma trama com a problemática do alcoolismo, a negligência familiar, o luto, entre outros assuntos colocados levemente na história ainda assim, eficaz. Não choca, mas cutuca; te faz perguntas, mas não força a barra. A naturalidade e a verdade da história revela o segundo ponto positivo.

O relacionamento entre August e as crianças na história me reaproximou de Ada e Jamie, me fez lembrar o quanto os dois garotos levaram beleza para a vida de Suzan no livro "A Guerra que Salvou a minha Vida". Em ambos os livros fica claro o quanto a troca de afeto, de diálogo, de confiança e desabafo faz com que aos poucos eles se aproximem mais e se sintam mais confortáveis para vencer seus medos e frustrações.

Leve-me com você é uma história cativante que só reafirma o quanto o amor e a empatia são sentimentos que podem mudar tudo na nossa vida. E sobre como a presença e os ensinamentos muitas vezes despretensiosos de uma pessoa pode colorir nossa vida. E para além disso, uma história que deixa claro o quanto podemos ensinar ao outro e aprender com ele também.

Beijos,
com carinho ♥️

12 de novembro de 2018

IMAGINÁRIO COLETIVO: UMA HQ DE WESLEY RODRIGUES



Olá! 

Depois de um tempinho afastado do blog - por motivos de falta de tempo suficiente para escrever - estou de volta. Estou num período tenso, embora gratificante. Estou finalmente terminando o curso de letras, já fazendo estágio supervisionado e relatório de estágio, por isso tem sido difícil vir até aqui sempre. Leio os livros no meu ritmo, mas já tenho alguns livros lidos para resenhar. Aos poucos trarei essas resenhas. Não desistam de mim, obrigado pela paciência. 
♥️
Uma das palavras que mais traduzem a minha personalidade é LIBERDADE. E embora não possamos ser livres sempre ou totalmente, eu sempre faço questão de falar sobre ela, de mostrar o quanto batalhar para alcançá-la é essencial. Por isso, quando li Imaginário Coletivo fiquei empolgado com o conteúdo que não só traz a liberdade como tema, mas que usou da liberdade poética para criar traços tão lindos e que ilustra muito bem o tom da narrativa de Wesley Rodrigues.


Primeiramente devo dizer que após a leitura dessa HQ você irá sentir ainda mais a vontade de voar. Sim! Seguir seu caminho, ser quem realmente é, alcançar voos mais altos. É uma das mais lindas histórias sobre ser livre que já li, mas também uma das mais complicadas de ser descrita. Porque se você não se libertar das amarras e do comum, se você não tirar o pé do chão, você simplesmente terá aqui alguns desenhos no papel acompanhados de palavras. E só. Mas Imaginário coletivo vai muito além disso.

A primeira HQ nacional publicada pela Editora Darkside, do animador Wesley Rodrigues, além de traços e pinturas que remetem ao absurdo e que tem características psicodélicas (exceto pela ausência de cor) nos envolve na grande explosão de um universo desconhecido - ou não -, com referências da bíblia no que se refere à criação. Fica claro no início da leitura que a história se trata de uma fábula  e temos aqui nesse universo almas esperando para conhecerem suas formas de vida na terra. Mas no meio de tanta confusão, aglomerados de partículas prontas para "Virem a ser" e ansiosas para pegarem suas senhas para descer para esse novo universo, nos deparamos com uma partícula que embora deseje revelar-se como um pássaro pegou a senha para ser vaca. Mas ela não quer ser vaca e tenta trocar de senha. No entanto, a recusam e por meio de muita força de vontade e ousadia ela consegue passar pela porta dos pássaros e chega ao mundo dentro de um ovo. É uma vaca com alma de pássaro. E quem a recebeu foi a fazendeira Jerusca e seu marido, o fazendeiro Agripino.

♥️
"Mas a vaca jamais esqueceu que queria ser um pássaro. 
Jamais esqueceu que queria voar.
Se imaginava em cima das nuvens."

O absurdo em que se faz a história nos traz muita graça com a trajetória da vaquinha-pássaro que a todo o tempo se esforça para voar. Você vai acompanhar sua evolução e seu treinamento diário com os pássaros até finalmente alcançar o céu e aprimorar seu voo sem desistir um segundo sequer de seus objetivos. Ela voará nem que seja preciso engolir todo o universo para isso.


Como já havia dito a liberdade é tema dessa HQ  e a beleza está em cada página e forma de pintura do trabalho do animador. Os traços remetem perfeitamente ao caos, cheia de traços imperfeitos, pinturas exageradas e caricatas. Eles se misturam com o ritmo da história e ambos dialogam perfeitamente. Nem sempre você verá palavras, mas sempre haverá imagens traduzindo a agonia, a pressa, a surpresa... dos personagens. É um verdadeiro desafio para sua imaginação. É para que você saia do mundo comum e perceba além do que está a seu redor. 

Imaginário coletivo é uma história que causa estranhamento, mas que consegue mostrar sua beleza dentro disso. Causa confusão, tédio, receio, sensações reais de desconforto quando nos deparamos com algo novo. Uma HQ com uma história atual, que traz à tona a importância de lutar pela liberdade de expressão e de ser quem realmente você é. Está linda e merece sua atenção.

Beijos,
com carinho ♥️

24 de outubro de 2018

Amores eternos de um dia, de Michele Contel


Olá! ♥️
Tudo bem?

Para começar o texto, antes de contar um pouco mais sobre o livro de hoje, quero dizer que nasci nos anos 1990. A internet não era tão aberta a todos, pessoas com boa condição tinham acesso ao serviço discado e o horário de melhor acesso era de madrugada. As pessoas faziam a festa nesse horário e tudo o que havia de parecido com os aplicativos de hoje era uma sala de bate-papo da uol. Celulares só enviavam no máximo mensagens de texto, além das ligações, e o uso de cartas ainda existia e era lindo. Conhecer alguém acontecia quando íamos numa festa e trocávamos telefone, talvez, ou então quando tínhamos a sorte de encontrar a mesma pessoa no ponto de ônibus, no shopping, passeando pelo seu bairro. Conhecer alguém a ponto de namorar era um processo mais demorado. Mas era gostoso. Porque cada descoberta sobre o outro era uma surpresa. Nada era pronto e a gente chegava lá pisando de degrau em degrau. Até que a tecnologia foi sendo aperfeiçoada, as cartas perderam um grande espaço, as redes e os aplicativos de relacionamento ganharam sua vez dando início às relações instantâneas nessa modernidade líquida já muito bem comentada por Zygmunt Bauman. E aqui estou eu, aos 28 anos, em 2018, tentando me encontrar nessa "selva" e escrevendo sobre um livro que traz à tona os motivos de minha estranheza. O livro em questão é AMORES ETERNOS DE UM DIA, da jornalista Michele Contel, publicado pela Editora Paralela.


Em "Amores eternos de um dia (Jogando a real sobre aplicativos e relacionamentos efêmeros)", Michele Contel escreve de forma leve, direta e divertida sobre os relacionamentos atuais traçando uma linha que vai desde o imediatismo das relações até a auto-sabotagem e a volta por cima. Quem nunca acreditou que depois de uma noite maravilhosa com o crush as coisas finalmente poderiam dar certo e que provavelmente muito em breve seria uma pessoa comprometida? Quem nunca buscou justificativas para o sumiço daquele boy (magia) tão maravilhoso, praticamente fechando os olhos para a realidade do que aquilo significa? Você? Pois é, eu também. E pergunto mais: você sabe o que é gosthing? E date? Sabe identificar um boy lixo? E sabe quando está sendo esse tipo de pessoa também? Se você tem dúvidas ou não sabe o que são esses conceitos com certeza encontrará nas páginas do livro. Mas se você já conhece todas essas questões encontrá situações no mínimo parecidas com o que você já passou, está passando ou está fazendo alguém passar. 

Sabe aqueles joguinhos do "quem fala primeiro" e até "vou dar um gelo para ver se ele sente minha falta"? É uma realidade na vida das pessoas na atualidade. Mas será que isso é saudável para você e suas relações? Essa é também uma das questões abordadas no livro que tem pouco mais de 200 páginas e traz à tona o cenário atual das relações iniciadas em aplicativos como Tinder, Happn, entre outros: resumindo, a superficialidade das relações que acontecem a partir da pressa de boa parte das pessoas que utiliza desses aplicativos para conhecer pessoas. E essa pressa não é algo que vem de um ou de outro. À medida em que a tecnologia avança cada vez mais rápido, dando a possibilidade do ser humano ser prático e encontrar coisas prontas de modo mais rápido, nós também nos movemos com pressa. 
"O imediatismo não só nos impede de conhecer de fato alguém como também facilita que a gente se deixe levar por impressões concebidas muito prematuramente. Isso nos afeta de várias formas: podemos, por exemplo, desistir de um romance por achar que ele não iria para a frente, ou ainda acabar nos apaixonando por versões de pessoas criadas por nós mesmos." (Pág.: 86)
Esse livro chega como um tapa na cara que nos diz "acorda!" e esfrega na nossa face a realidade que está presente há tanto tempo e por alguma razão não enxergamos ou simplesmente escolhemos não ver. Você vai dar muitas risadas, vai enxergar uma amiga, vai enxergar você mesma há cinco ou sete anos, vai enxergar você no agora e até identificar aquele embuste que está no seu caminho - ou que você permitiu que estivesse pelo menos. Além de tudo isso você vai, provavelmente, perceber referências e indicações de músicas e filmes como "Ele não está tão a fim de você", que inclusive é o meu preferido quando o tema é "você está se iludindo por quem não está tão a fim de você".

Outra abordagem do texto de Michele Contel e que é muito válida, é algo que estou sempre comentando entre meus amigos e que é muito válido e muitos de nós precisamos entender. O cuidado com o sentimento dos outros. Muitas pessoas acham que o sentimento do outro não interessa mais depois que a relação termina ou quando ambos não estão na mesma sintonia, mas não é bem assim. M. Contel vai dizer que é muita falta de honestidade não ser sincero ao perceber o envolvimento do outro quando você não está na mesma frequência. Ninguém é obrigado a ter reciprocidade quando o assunto é sentir. Afinal, está aí uma coisa sobre a qual a gente não tem controle algum. Quem dera! Mas todo mundo consegue ser verdadeiro se for preciso.

Em meio a relatos que podem ser reais ou fictícios você verá ilustrações que dialogam perfeitamente com o que está escrito e volto a dizer que não será difícil se sentir parte da história. E quando digo parte da história estou dizendo que você pode tanto estar do lado de lá - da pessoa estilo ghosting, no estilo boy lixo - quanto do lado de cá - com aquela ilusão com a qual se permite viver num determinado momento. E dos livros sobre as relações nessa era digital que li esse tem um grande diferencial: a autora coloca na mesa o quanto muitas vezes reclamamos do outro, mas agimos da mesma maneira nessa selva - como ela se refere a esse campo de batalha onde acontece os joguinhos do amor.
"As possibilidades são sedutoras e nós não conseguimos resistir a elas. E é por isso que, mesmo após uma série de desilusões, não desistimos do jogo. Cada partida perdida desenvolve uma habilidade que acaba sendo importante para o próximo jogo. Vamos ganhando diferentes experiências, que vão desde a identificação  de personagens cativos nesses enredos até a criação de estratégias para lidar com esses tipos. Como o boy lixo." (Pág.: 115)
Não teria pontos negativos para apontar, a não ser o tom de auto-ajuda que o livro assume nos capítulos finais com todos aqueles clichês que relatam a necessidade do amor próprio - o que de fato é real. Há leitores que gostam, outros não. Mas se você me perguntar se isso enfraquece a qualidade do livro eu vou dizer claramente que não. A vida tem seus altos e baixos, os textos que lemos também. O que não quer dizer que seja ruim. Equilíbrio é tudo! ♥️

Em meio a abordagens pertinentes e alguns clichês, "Amores eternos de um dia" é um livro para ler numa tarde gostosa, deitada numa rede e tomando um delicioso suco. Um livro para ler com a amiga compartilhando suas experiências, rindo das estranhezas e refletindo sobre quem você está deixando entrar na sua vida, como está sendo isso e sobre como a caminhada até o amor próprio pode ser árdua. E ela é! Mas a boa notícia é que uma hora a gente amadurece e encontra nossa paz.

MICHELE CONTEL nasceu em 1992, em Araçatuba, interior paulista, e vive um relacionamento sério com São Paulo desde 2015. Formada em jornalismo, as palavras sempre foram a paixão da sua vida, tanto no primeiro blog, criado aos quatorze anos, como nas fanfics de Harry Potter e Mc Fly, escritas aos quinze. Amores eternos de um dia é seu primeiro livro.


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com carinho ♥️  
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