30 de novembro de 2018

Outsider, de Stephen King



Olá!

Você não sabe o prazer que é estar de volta para falar de Stephen King. Vem comigo.


Me permitir ler Stephen King há poucos anos foi um dos acertos literários que fiz. Além de ser um autor muito competente - ainda que em dado momento choque com os absurdos -, me apresenta uma escrita original, coloca tudo no lugar certo e junta todas as pontas que só parecem estar soltas em algum momento. Seus cenários únicos desenhados com tanta precisão e a ambientação de suas histórias só enriquecem suas histórias. E Outsider é mais uma de suas histórias que me apresenta tudo isso.

Em Outsider nos deparamos com um crime indescritível e uma investigação inexplicável. O corpo de um menino é encontrado abandonado num parque em Flint City. O menino foi brutalmente assassinado e todas as digitais que são encontradas no cenário do crime é do famoso treinador da Liga Infantil de beisebol conhecido como Terry Maitland. que também é professor de inglês, é casado e tem duas filhas. As digitais, ao olhar do detetive Ralph Anderson, são suficientes para que ele possa ordenar a prisão imediata do treinador e de forma pública, o que faz com que em pouco tempo toda a cidade saiba que ele é o principal suspeito do crime. No entanto, Maitland possui um álibi, mas a convicção do detetive por causa das amostras de DNA exclui totalmente o que o suspeito tem a dizer. O caso então parece resolvido. Mas quando segue a investigação a história parece mais complexa do que aparentava ser no início e nem tudo o que parece ser realmente é. Terry Maitlland parece ser um bom marido, um bom pai também. Um sujeito legal e admirado na cidade até então. Mas será que não existem uma máscara para esconder quem realmente ele é? 

Se prepare para muita tensão e uma mistura intensa de sentimentos durante a leitura de Outsider. Mais uma vez as palavras, os detalhes colocados no lugar certo e as imagens nítidas criadas por King envolverá você nessa investigação e nos perigos contidos nela. Não se assuste se você se sentir como um detetive fazendo parte dessa investigação. Nem se acanhe se em algum momento desejar uma justiça com as próprias mãos. A ficção pode muito bem se confundir com a realidade quando você reconhecer as problemáticas abordadas no texto. E quais são essas abordagens que pode muito bem fazer parte da nossa realidade?

Primeiro, todos os personagens têm personalidades fortes e muito reais. Sem muito enfeite, sem perfeições. É o ser humano como ele realmente é: com todas as falhas, defeitos, bondades e maldades. Diria até que seus pesamentos sujos estão ali marcando presença também. Diante disso, a justiça falha e policiais aparentemente pouco preparados para lidar com o caso. Na verdade, policiais levados pela emoção e agindo de maneira impulsiva demais. Será que você reconhece essa realidade em algum momento?

O olhar para o racismo também marca presença de maneira sutil no início da história. É como quando uma pessoa alfineta você da maneira mais discreta possível, mas no fundo você sabe que existe uma crítica ferrenha ali e que a gente não pode deixar passar. Outro tema que está presente e que esteve presente também na trilogia Bill Hodges é o suicídio. Coisas pesadas demais para serem carregadas sozinhas por pessoas com seus traumas e insatisfações, pressão muito grande em momentos tristes e diria também desesperadores. Uma lenda muito conhecida por nós e em outros países também marca presença na história. Divirta-se.
Dois garotos negros na calçada, um com um pé e um skate laranja velho, o outro com um verde-limão embaixo do braço, viram o carro entrar no estacionamento do Parque Recreativo Estelle Barga e se entreolharam.
Um disse:
- Tiras.
O outro respondeu, irônico:
- Não diga.
Eles se afastaram sem falar mais nada, dando impulso nos skates. A regra era simples: quando a polícia aparece, é hora de ir. A vida dos negros importa, seus pais tinham lhes ensinado, mas nem sempre para os policiais.
Outlander é dividida em pouco mais de sete partes, cada uma representando um local, uma situação relacionada ao caso - até mesmo das investigações -, a situação de alguém em especial. O título original foi mantido e em sua tradução remete ao modo como os personagens chamam o assassino. Assim como a capa, o título pode entregar muita coisa da história, sugiro que não tente decifrá-la antes de ler. Ao invés disso, se permita ter um reencontro com um personagem da trilogia Bill Rodges e aproveite muito a presença dele. E se sinta confortável com a presença de um autor famoso da literatura do gênero policial, de quem o treinador T. é muito fã. 


Há momentos em que o cansaço nos alcança durante a leitura, reconheço. Muitos detalhes que podem parecer desinteressantes. No entanto, mais para frente tudo se encaixa e você percebe o quanto isso foi necessário. 

Outsider é uma história aterrorizante sobre os fantasmas que nos assombram e nos induz a olhar ao nosso redor e perceber o quanto estamos lutando com nossos demônios e o quanto estamos lidando com monstros o tempo inteiro: alguns disfarçados, outros à mostra. Uma história sobre como a falha na justiça é real e sobre como agir tomado pela emoção pode desencadear grandes tragédias. 

Bjux,
e até mais! ♥️
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